Diagnóstico
O diagnóstico a princípio pode ser encarado como um bicho-de-sete-cabeças, por isso a necessidade premente de esclarecer os leitores quanto a esse tópico tão importante quando falamos de doenças mentais.
Se por um lado o diagnóstico nos ajuda a compreender a doença, por outro pode se cair no erro desse ser tomado como um rótulo indissociável da pessoa, que a aprisiona num mundo de conceitos por vezes imperceptíveis, dando lugar a uma identificação excessiva com os sintomas da doença, e ainda colocando o indivíduo fora da categoria dos normais, ou não diagnosticados.
O diagnostico permite-nos por fim compreender o que de errado se passa connosco, podendo nos esclarecer sobre a dinâmica da doença, como por exemplo uma depressão que se tratada a tempo pode ser passageira, ou em outros casos como a esquizofrenia em que a pessoa terá que se acostumar com uma nova serie de rotinas diárias para manter o equilíbrio, pois esta doença não tem uma cura.
Apesar de uma grande parte das doenças do foro psíquico não terem cura, estas não devem ser encaradas como um drama, pois hoje em dia existe medicação que permite a pessoa levar uma vida normal, como qualquer outra sem diagnóstico.
Se por um lado um diagnostico surge como um alívio, tendo em conta que já há uma explicação plausível para os sintomas vivenciados pelo indivíduo, por outro corre-se o risco de haver uma rotulagem nada benéfica para o doente, que se vê angustiado por ser portador de uma doença desconhecida que o amedronta, ou ainda ficar preso ao rótulo, tanto da sua parte como da parte dos outros dando amplo espaço á discriminação. Pode apresentar-se como uma certeza de que não somos iguais aos outros e tudo em nós deriva da doença, associado a alguns mitos como por exemplo que as pessoas com doença mental são agressivas, etc.
O importante a reter após um diagnóstico é que somos todos diferentes, e mesmo perante diagnósticos semelhantes cada ser humano vive a sua doença de uma forma muito própria consoante a sua personalidade. Não devemos pensar que nos somos os diferentes, afinal somos todos diferentes, o importante é minimizar os sintomas, procurar as ajudas necessárias, e cumprir com a medicação se for esse o caso para que o doente possa ter uma vida o mais equilibrada possível.
Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
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